A cibersegurança tem se tornado uma das principais áreas da TI, sobretudo por causa do crescimento acelerado das ameaças virtuais no meio corporativo. Por isso, adotar práticas de privacidade e segurança de dados eficientes passa a ser uma prioridade para a maior parte das empresas. Você sabe como fazer isso? De acordo com o relatório da Uni42, unidade de pesquisa da Palo Alto Networks, o Brasil registrou o maior índice de ataques cibernéticos da América Latina em 2023, destacando-se como o epicentro dessas práticas criminosas na região. O estudo identificou, ainda, que o país foi o mais vulnerável a ataques hackers entre os representantes latinos pelo terceiro ano consecutivo, com o registro do aumento dessas inconsistências em 56,4% de 2021 a 2023. Entre as inúmeras formas de comprometimento das tecnologias dos negócios, sejam elas em superfície física ou em nuvem, algumas chamam a atenção dos especialistas pela sofisticação e escalabilidade. É o caso, por exemplo: Diante desse cenário, os times de TI precisam desenvolver, com agilidade, uma gestão de dados e compliance robusta, adequando as atividades das empresas ao que orienta as principais regulamentações do mercado, como a LGPD, DORA, GDPR, CCPA, SOX, PCI e HIPAA, entre outras. Além disso, um bom exemplo dessa exigência é a inteligência artificial (IA) e seus contornos, tendo em vista que ela não representa mais uma tecnologia do futuro, já que está transformando vidas e negócios agora, no presente. Mais de 25% das organizações já utilizam cinco ou mais aplicativos de IA diariamente, desse modo, para as equipes de tecnologia, é necessária uma atenção plena às novas tecnologias e demandas de mercado. Como se sabe, a inteligência artificial (IA) e a proteção de dados estão intimamente relacionadas, pois o treinamento de algoritmos de IA muitas vezes demanda grandes volumes de dados, incluindo dados pessoais. Assim, o objetivo por trás da estratégia de fortalecer esses campos – o da privacidade e ética no uso de dados, além da segurança da informação – é claro: minimizar os prejuízos que as organizações enfrentam quando passam por eventos cibernéticos adversos. Segundo o estudo Global Cybersecurity Outlook 2024, do World Economic Forum, mais de um terço das organizações sofreu um incidente cibernético causado por malfeitores em 2023. Empresas que possuem a proteção de dados e o respeito à privacidade e ética dos dados consolidados, tendo a tecnologia da informação (TI) como parceira, usufruem de uma série de benefícios em relação àquelas que não se preparam para o novo contexto digital. Agora, os usuários estão mais atentos a como os negócios utilizam suas informações, assim como há um aumento exponencial das superfícies de ataque e dos pontos de vulnerabilidade suscetíveis aos mais variados cibercrimes. Ou seja, privacidade, ética e adequação no uso de dados, além de campos em ascensão na TI – como a inteligência artificial –, são a demanda do presente e do futuro dentro das empresas. Neste conteúdo, vamos conversar mais sobre regulação, gestão e segurança de dados, além da privacidade dessas informações. Por que é importante que empresas e profissionais de TI se especializem em privacidade, segurança e ética no uso de dados? Ter um olhar cuidadoso para a privacidade e a ética no uso das tecnologias, sobretudo as relacionadas com o tratamento de dados, é uma demanda urgente dos negócios. As novas dinâmicas sociais, que se destacaram com a transformação digital acelerada pela pandemia de Covid-19, não só exigem um posicionamento das organizações diante do uso de dados, como enfraquecem o branding de empreendimentos que não possuem políticas de transparência em suas operações. A partir de 2020 e da necessidade de distanciamento social, a digitalização das empresas e das transações cresceu de forma exponencial. De acordo com a 33ª edição da Pesquisa Anual sobre o Mercado Brasileiro de TI e Uso nas Empresas, divulgada pela FGV, por exemplo, a antecipação do processo de transformação digital por causa dos contornos da crise sanitária foi o equivalente ao esperado para o período de um a quatro anos. Na época, computadores, notebooks, tablets e smartphones superaram, somados, a expressiva marca de 447 milhões de unidades no país. Ou seja, a demanda por redes e soluções digitais cresceu significativamente. Com isso, foi preciso viabilizar novos modelos de negócios que exigiam também investimento em TI. Diante de tantas mudanças, as empresas passaram a ser cada vez mais confrontadas com a demanda de adaptação a políticas de uso e tratamento de dados adequadas. Afinal, esses insumos agora apresentavam-se em quantidades inéditas e impressionantes. Assim, ao optar por caminhar com as transformações do contexto, priorizando processos, ações, planejamento estratégico e indicadores voltados para a ética, a transparência e a proteção de dados, as empresas gozam de inúmeras vantagens, como: Além dos benefícios previamente mencionados, o reconhecimento e a ênfase na privacidade, na ética e na segurança da informação resultam na preservação de ativos valiosos dos negócios, tanto internos quanto externos, mitigando gastos com redução de danos e respostas a incidentes. Nesse contexto, torna-se indispensável contar com setores de TI altamente sistematizados e focados no contínuo desenvolvimento dos princípios de segurança da informação e em sua diferenciação entre privacidade e proteção de dados. Você também pode gostar – Cloud storage: o que é e qual sua importância para o cenário de dados atual? Qual a diferença prática entre privacidade, proteção de dados e segurança da informação? Ao nos aprofundarmos na essência da “privacidade, proteção de dados e segurança da informação”, é crucial que compreendamos como esses conceitos se entrelaçam e, ao mesmo tempo, se distinguem em práticas cotidianas da TI. A “privacidade”, como destacado anteriormente, refere-se ao direito de um indivíduo de controlar suas informações pessoais e de decidir como, quando e onde essas informações podem ser acessadas e compartilhadas. É um conceito intimamente associado à proteção dos dados pessoais, especialmente no contexto das tecnologias digitais. Na prática, seus principais aspectos incluem: Já a “proteção de dados pessoais (ou privacidade de dados)” é definida como um subconjunto da privacidade, que se concentra especificamente na proteção das informações pessoais identificáveis (PII). É regida por legislações específicas, como a General Data Protection Regulation (GDPR), na Europa, e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), no Brasil, e tem como aspectos essenciais os discriminados a seguir: Por fim, a “segurança da informação” envolve a proteção dos dados contra ameaças, garantindo a integridade, confidencialidade e disponibilidade da informação. Abrange a implementação de medidas e práticas que assegurem que os dados sejam acessados somente por pessoas autorizadas e que estejam protegidos contra perdas ou modificações. Seus três principais pilares são conhecidos pela sigla CIA: Além disso, a segurança da informação também envolve gestão de riscos, plano de resposta a incidentes e auditorias de segurança, estratégias para minimizar possíveis ameaças e lidar com elas. O entendimento prático desses conceitos contribui para a construção de uma abordagem holística em TI. Seja para fornecer suporte eficaz aos usuários em suas necessidades de privacidade e proteção de dados, seja para resguardar os ativos mais preciosos de uma empresa, o profissional de TI desempenha um papel estratégico, sendo o responsável por perfectibilizar as ações e políticas de proteção e por estruturar uma segurança da informação eficiente. E como identificar a efetividade da segurança da informação de um negócio? É o que vamos destrinchar agora. Você também pode gostar – Governança corporativa: princípios e boas práticas para adotar em 2024. Resumo das diferenças e relações entre os conceitos Para detalhar o que conversamos anteriormente, podemos resumir as diferenças e as relações existentes entre os três conceitos: privacidade, proteção de dados pessoais e segurança da informação. Todos os conceitos se interligam, de modo que a privacidade é protegida por meio de boas práticas de segurança da informação, e a proteção de dados pessoais garante que os direitos individuais, em relação aos seus dados, sejam respeitados e assegurados. Você também pode gostar – Previsões de cibersegurança: o que esperar no segundo semestre do ano e início de 2024? As 5 principais regulações do mercado Nessa perspectiva de desenvolvimento de recursos que se preocupam com a privacidade e a segurança dos dados, diversas normatizações e regulamentações globais foram estruturadas, definindo padrões para o tratamento e a proteção de dados pessoais. Conhecê-las é essencial para quem deseja trabalhar com privacidade e segurança de dados. Inspirada no GDPR europeu, a LGPD regulamenta o tratamento de dados pessoais de indivíduos no Brasil, estabelecendo princípios como transparência, segurança e o consentimento dos titulares dos dados. Foi implementada em agosto de 2018, mas entrou efetivamente em vigor em 2020. Desde então, as empresas precisam garantir a conformidade da sua gestão de dados com o que está disposto na norma, principalmente para potencializar a segurança da informação e a não aplicação de penalidades. Uma das regulamentações mais rigorosas do mundo, a GDPR protege a privacidade dos dados pessoais dos cidadãos da UE, impondo severas penalidades a seu não cumprimento e exigindo práticas robustas de confidencialidade da informação. O CCPA é uma lei estadual que oferece aos residentes da Califórnia, por exemplo, o direito de saber como seus dados pessoais são coletados e utilizados, bem como o direito de acessar e excluir suas informações pessoais Os Princípios Atualizados sobre Privacidade e Proteção de Dados Pessoais, como instrumento de soft law interamericano, visam servir aos estados-membros da organização como pontos de referência para o fortalecimento de seus respectivos marcos legais na matéria e orientar o desenvolvimento coletivo da região rumo a uma proteção harmônica e eficaz dos dados pessoais. Essa regulamentação protege informações de saúde sensíveis, exigindo padrões de segurança rigorosos para salvaguardar dados médicos e pessoais, além de estabelecer parâmetros para uso, divulgação e proteção de informações de integridade individualmente identificáveis. Como implementar práticas de privacidade e segurança de dados em TI em conformidade com as regulações? Implementar práticas robustas de proteção de dados, privacidade e segurança de dados é essencial para cumprir as regulamentações e salvaguardar as informações sensíveis de ameaças. Existem algumas dicas que podem facilitar esse processo, e você encontra todas elas no novo ebook gratuito da Escola Superior de Redes. >> Baixe agora o ebook “9 passos para implementar práticas de privacidade e segurança de dados em TI em conformidade com as regulações” <<