Cadastre-se

CADASTRO

Em caso de não possuir CPF, por favor entre em contato conosco clicando aqui.

Ao informar meus dados, eu concordo com a Política de Privacidade

ReCaptcha
Entrar
Escola Superior de Redes

Computação eficiente em energia e a sustentabilidade nos data centers de TI

Escola Superior de Redes

10/07/2025

Compartilhar

O conceito de computação eficiente em energia tem se consolidado como uma das pautas mais urgentes do mercado moderno. Isso porque, em um cenário no qual o avanço tecnológico ocorre em ritmo acelerado, surge também a necessidade de repensar os impactos ambientais gerados pela própria tecnologia e por toda a infraestrutura que a sustenta.

Com a popularização da inteligência artificial e seu uso cada vez mais frequente nas aplicações cotidianas (de assistentes virtuais aos modelos generativos), por exemplo, cresce proporcionalmente a demanda por data centers robustos capazes de processar volumes gigantescos de dados. 

O problema? Essa infraestrutura não é neutra, pois consome energia em larga escala, exigindo recursos naturais finitos e gerando resíduos complexos, tanto no processo de fabricação quanto na operação.

Para se ter uma ideia do desafio a ser superado, na fabricação de um computador de 2kg são necessários 800kg de matérias-primas. É o que nos diz o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no recente Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) 2025, cujo tema escolhido para essa edição foi “Uma questão de escolha – pessoas e possibilidades na era da IA”.

Além disso, os microchips que alimentam a IA dependem de elementos raros, cujo processo de extração, na maioria das vezes, é destrutivo para o meio ambiente, causando desmatamento e poluição de rios e solos, além de gerar emissões significativas de gases de efeito estufa que contribuem para o aquecimento global.

Ainda sobre o tema, o PNUD também alerta para outro problema crescente nesse contexto: os data centers produzem uma quantidade significativa de lixo eletrônico, que, geralmente, contém substâncias perigosas, como mercúrio e chumbo, ambos altamente tóxicos e de difícil descarte.

O consumo de água é outro fator crítico para os grandes data centers, tendo em vista que o insumo é utilizado durante sua construção e na fase operacional, sendo essencial para o resfriamento dos componentes eletrônicos. Estima-se, por fim, que, globalmente, a infraestrutura relacionada com a IA poderá consumir, em breve, seis vezes mais água do que a Dinamarca inteira, um país com aproximadamente 6 milhões de habitantes.

Ou seja, falar sobre computação eficiente em energia não é apenas uma demanda técnica, trata-se de uma necessidade urgente e de uma responsabilidade que recai sobre os profissionais de TI, empresas, governos e, claro, a sociedade.

Ao longo deste artigo, abordamos as especificidades da computação sustentável, explorando os seguintes tópicos:

  • O que é computação eficiente em energia?
  • Quais são os principais elementos que caracterizam a computação eficiente em energia?
  • Qual a importância da computação eficiente em energia para o cenário atual?
  • Como a computação eficiente em energia pode otimizar a operação das empresas?
Você também pode gostar – TI Verde: o papel da tecnologia e das organizações diante da urgência da sustentabilidade

O que é uma computação eficiente em energia?

Em linhas gerais, a computação eficiente em energia refere-se ao desenvolvimento e uso de sistemas computacionais que maximizam a performance por watt consumido, incluindo otimizações de hardware, software, algoritmos e infraestrutura para reduzir o consumo energético total. Ou seja, seu objetivo é maximizar a eficiência energética e minimizar o impacto ambiental da tecnologia por toda a cadeia produtiva de uma empresa, observando desde a preocupação com as matérias-primas utilizadas no desenvolvimento de sistemas e softwares até as etapas de descarte adequado de material eletrônico.

Assim, a computação eficiente em energia abrange a criação de estratégias de TI que priorizam a eficiência energética, bem como a fabricação, o uso e o descarte correto de computadores e outros eletrônicos, além da escolha de matérias-primas de menor potencial lesivo.

Por trás da história da computação eficiente em energia

O conceito de computação eficiente em energia, ou computação verde, ganhou impulso significativo em 1992, quando a Agência de Proteção Ambiental dos Estado Unidos lançou o programa Energy Star. Na ocasião, o programa tinha como objetivo identificar eletrônicos de consumo que conseguiam atender aos padrões de eficiência energética. Uma espécie de proposta de reconhecimento das iniciativas que já haviam aderido, àquela época, à chamada computação ecológica e à função de modo de suspensão em todo o setor de TI.

Com base nisso, o Programa Energy Star foi aprimorado, dando origem à Ferramenta de Avaliação Ambiental de Produtos Eletrônicos (Electronic Product Environmental Assessment Tool ou Epeat), responsável por registrar produtos organizados e mantidos de acordo com critérios de desempenho que valorizam a sustentabilidade. Entre eles:

  • Material sustentável;
  • Esforços para a redução das emissões de gases de efeito estufa, principalmente na fabricação, no transporte e na manutenção dos produtos;
  • Longevidade dos produtos por meio de designs duráveis;
  • Gerenciamento do fim do ciclo de vida com práticas de reciclagem.

Depois desse momento e com o tempo, a computação eficiente em energia ampliou seu escopo e a abrangência dos seus pilares, com o setor de TI dedicando-se não só à produção de inovação e novas tecnologias, com dispositivos cada vez menores e mais rápidos, mas também preocupado em otimizar esses ativos para um modelo sustentável de ponta a ponta.

Na prática, a computação eficiente em energia requer um planejamento sustentável de toda a cadeia de serviços de TI capaz de elaborar medidas e estabelecer metas direcionadas para as diversas etapas do setor – desde a fabricação dos produtos até seu descarte.

Portanto, podemos dizer que o termo computação sustentável descreve práticas que promovem:

  • A redução do consumo de energia e água em operações de TI;
  • O uso de energias renováveis, como solar e eólica, para alimentar data centers;
  • Processos de produção mais limpos e menor descarte de resíduos eletrônicos.

Quais são os principais elementos que caracterizam a computação verde?

Destacamos os mais relevantes a seguir.

  • Eficiência energética: redução do consumo de energia em hardware e software.
  • Energias renováveis: substituição de fontes de energia tradicionais por renováveis.
  • Design sustentável: equipamentos projetados para maior durabilidade e facilidade de manutenção.
  • Gerenciamento de resíduos eletrônicos: reciclagem e reúso de componentes tecnológicos.
  • Virtualização e computação em nuvem: otimização de recursos e redução do número de equipamentos físicos.
Você também pode gostar – Governança em TI e ESG: Como integrar práticas de sustentabilidade em sua estrutura tecnológica

A importância da computação eficiente em energia no cenário atual

Com a crescente digitalização e o aumento exponencial da demanda por recursos de TI, a computação sustentável emerge como uma solução indispensável para equilibrar inovação tecnológica e sustentabilidade.

Ao minimizar os impactos ambientais, as práticas da TI ecológica harmonizam a necessidade do mercado por desempenho e competitividade das empresas e também por uma cadeia de produção mais consciente, transparente e “limpa”.

A seguir, destacamos a importância da computação eficiente em diferentes áreas.

Qual a relevância da computação eficiente em energia?

1) Importância para os data centers

Conforme abordado anteriormente, a transformação digital e o aumento do volume de dados armazenados tornam os data centers elementos cruciais na operação das empresas. Entretanto, eles também são grandes consumidores de energia e fontes de emissão de carbono, sendo responsáveis por uma parcela significativa das emissões de gases globais.

Nesse cenário, a computação eficiente em energia oferece soluções, como o uso de energias renováveis e virtualização e sistemas de refrigeração eficientes, para driblar esses problemas e reduzir os custos operacionais dos negócios.

2) Importância para a logística

A fabricação e o transporte de equipamentos de TI geram emissões significativas de gases de efeito estufa. Nesse sentido, a computação verde promove práticas como:

  • Otimização de rotas logísticas, o que reduz a pegada de carbono;
  • Uso de material reciclável e biodegradável, diminuindo, assim, os resíduos;
  • Preferência por fornecedores locais, o que minimiza o impacto no transporte.

Essas medidas, combinadas com as outras citadas aqui, tornam a cadeia de suprimentos de TI mais sustentável e eficiente.

3) Importância para a infraestrutura geral

De escritórios a fábricas, a computação verde auxilia na construção de infraestruturas inteligentes, integrando sistemas de gestão de energia, sensores IoT e práticas de manutenção preditiva para entregar as seguintes vantagens:

  • Redução do consumo energético em instalações físicas;
  • Maior longevidade dos equipamentos de TI;
  • Menor necessidade de atualizações e substituições constantes.

4) Importância para a experiência do usuário

Os usuários estão cada vez mais atentos à responsabilidade ambiental das empresas com as quais interagem. Inclusive, de acordo com uma pesquisa da Sherlock Communications, entre consumidores brasileiros e latino-americanos, as ações de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) são extremamente influentes na tomada de decisões.

Segundo o levantamento, 90% dos brasileiros afirmam que a responsabilidade social corporativa influencia a opinião que têm sobre as empresas.

Por isso, a adoção da computação verde é também um investimento direto no branding e na manutenção do negócio no mercado. Além disso, produtos e serviços alinhados à computação verde:

  • Apresentam maior eficiência e confiabilidade;
  •  Atendem às expectativas de consumidores que valorizam práticas sustentáveis;
  • Reforçam a imagem corporativa como responsável e inovadora.

Tais compromissos não apenas atraem mais clientes, mas também fortalecem a fidelização de quem já utiliza os serviços.

5) Importância para a área legal

Optar por práticas de computação eficiente em energia auxilia empresas a se adequarem às regulamentações ambientais, que estão se tornando mais rigorosas em diversos países. Desse modo, podemos dizer que, em relação a compliance e governança legal, o conceito de computação ecológica viabiliza que as empresas estejam à frente nestes campos:

  • Cumprimento de limites de emissões de carbono;
  • Garantia de descarte adequado de resíduos eletrônicos;
  • Redução de multas e sanções relacionadas com a não conformidade ambiental.

No atual cenário, estar em conformidade com as normas é crucial para operar de forma legítima e competitiva no mercado global.

6) Importância a longo prazo

Como dissemos, a computação eficiente em energia cria um impacto positivo duradouro ao:

  • Preservar recursos naturais para as futuras gerações;
  • Reduzir os custos relacionados com o gerenciamento de resíduos e o consumo de energia;
  •  Posicionar as empresas como líderes no combate às mudanças climáticas.

Ao investir em sustentabilidade, as organizações garantem sua relevância no presente, construindo um legado inovador e responsável para o futuro.

Afinal, como a computação ecológica pode otimizar a eficiência energética das empresas?

Respondemos a isso em cinco passos:

  1. Modernização de hardware – equipamentos com maior eficiência energética consomem menos e duram mais;
  2. Gestão de energia inteligente sistemas que ajustam o consumo conforme a demanda;
  3. Adoção de servidores virtuais menos servidores físicos resultam em menor uso de energia e espaço;
  4. Refrigeração eficiente adoção de técnicas como refrigeração líquida (liquid cooling), free cooling (uso do ar externo) e sistemas de contenimento de corredores quentes/frios;
  5. Transição para a energia renovável data centers movidos a fontes renováveis.

Ou seja, com a computação verde, o setor de TI se compromete a ser um importante aliado em prol da sustentabilidade global, provando que tecnologia e consciência ambiental podem (e devem) caminhar lado a lado.

_______________________________________

Encontre a sua especialização em uma área de tendência dentro da TI. Conheça os cursos da ESR!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

posts recentes

  • Cursos de Governança de TI
    Governança de TI

    Cursos de governança de TI imperdíveis para você se especializar!

    Já sabe quais cursos de governança de TI podem gerar resultados reais na sua carreira? Este guia vai ajudar você a estruturar um plano de estudos estratégico e adequado para o cenário digital moderno.  Em meio à transformação digital acelerada, ao uso intensivo de dados, à inteligência artificial e à pressão regulatória crescente, a tecnologia […]


    05/02/2026
  • businesspeople planning glass wall 1
    Métodos Ágeis e Inovação

    Cultura ágil no setor público: mitos, desafios e o que tem dado certo

    Por que falar de cultura ágil no setor público é cada vez mais relevante? A pressão por serviços públicos mais eficientes, transparentes e acessíveis não surge apenas por causa do movimento de transformação digital. Ela decorre de um cenário mais amplo, marcado por restrições orçamentárias, aumento da complexidade regulatória e maior exigência por resultados mensuráveis […]


    29/01/2026
  • Redes Definidas por Software
    Administração e Projeto de Redes

    Por que as Redes Definidas por Software (SDN) estão no eixo da flexibilidade em TI?

    As Redes Definidas por Software (SDN) não são mais analisadas sob uma perspectiva de alternativa experimental. Trata-se de um conceito já consolidado, bem como um pilar estratégico das organizações que precisam de agilidade, automação e governança em ambientes híbridos e distribuídos. Isso porque a pressão sobre a infraestrutura aumentou de forma exponencial. Conforme dados do Cisco […]


    29/01/2026
  • Prevenção de Ransomware e Phishing em Empresas
    Segurança

    Prevenção de ransomware e phishing em empresas: 7 estratégias essenciais para 2026

    A prevenção de ransomware e phishing em empresas tornou-se eixo central das estratégias de continuidade, especialmente porque as ciberameaças modernas não operam de forma isolada, mas como um ecossistema interdependente e oportunista. Com a digitalização acelerada dos negócios, que redefine diariamente como empresas funcionam, se conectam e são atacadas, cresce também o entrelaçamento entre vulnerabilidades […]


    23/12/2025
  • Tipos de Backup
    Computação em Nuvem

    Tipos de backup: conheça os principais e saiba qual implementar na sua empresa

    Os mercados de armazenamento em nuvem e de soluções voltadas para diferentes tipos de backup estão entre os mais estratégicos para equipes modernas de TI. O aumento explosivo da geração de dados, a migração para ambientes híbridos e a sofisticação dos ataques cibernéticos transformaram essa prática em um pilar crítico de segurança da informação e […]


    23/12/2025
  • Roadmap de aprendizado em TI
    Temas Diversos

    Roadmap de aprendizado em TI: como colocar um em prática?

    A tecnologia evolui rápido demais para que times de TI aprendam de forma improvisada. Frameworks se renovam em ciclos curtos, ferramentas se expandem, stacks se multiplicam e as organizações, públicas e privadas, exigem cada vez mais autonomia, maturidade técnica e capacidade de adaptação. Nesse contexto, ter um roadmap de aprendizado se apresenta como uma necessidade […]


    18/12/2025
Ver todos os posts >