Você sabe como tecnologia e acessibilidade se entrelaçam em relação ao acesso à informação e à rede? Na prática, abordar esses dois termos em conjunto significa pensar em formatos digitais capazes de alcançar uma coletividade, mesmo que em suas diferentes características.
Ou seja, trata-se de um esforço para que a tecnologia se desenvolva em um contexto de acessibilidade e inclusão, observando o direito ao acesso universal à Internet, às inovações e a uma vida/rotina facilitada por meio desses recursos digitais.
Assim, tecnologia e acessibilidade abordam a inclusão digital, com foco em permitir que qualquer indivíduo PCD (temporária ou permanente) não seja excluído das novas dinâmicas sócioeconômicas dispostas a partir da Revolução 4.0.
Por isso, é importante que usuários, empresas, produtores de conteúdo na Internet, plataformas e afins estejam alinhados e dispostos a criarem um ambiente digital cada vez mais acessível. Mas como fazer isso?
O que é Tecnologia Assistiva e como ela pode otimizar a relação tecnologia e acessibilidade digital?
A tecnologia assistiva é desenvolvida para permitir que pessoas com deficiência consigam utilizar o ambiente digital e físico a partir de três aspectos principais: menores desconfortos, com segurança e autonomia.
Nesse contexto, dizemos que a combinação de tecnologia e acessibilidade possui um impacto positivo não somente para as pessoas com deficiência, permanente ou temporária, como para toda a sociedade. Isso porque mais acessibilidade, potencializada com o auxílio da tecnologia, permite um ambiente mais integrado, diverso, com demandas sociais diferentes e projetos de solução também.
As tecnologias assistivas atuam exatamente nessa direção, sendo definidas pelo Comitê de Ajudas Técnicas (CAT) da seguinte forma:
“Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social”. (CAT, Ata da Reunião VII, SDH/PR, 2007)”
Portanto, as tecnologias assistivas são os recursos que vão permitir e potencializar as oportunidades de comunicação, aprendizado e mobilidade de pessoas com deficiência, devendo ser inseridas nas propostas de diversos documentos oficiais do Brasil e do mundo.
No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146, de julho de 2015), positiva expressamente o termo e o explica como um conjunto de produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.
Como exemplo, há as Órteses, Próteses e Meios Auxiliares de Locomoção (OPM), que asseguram à pessoa com deficiência, igualdade de oportunidades diante dos desafios da vida.
E é justamente por atuar como uma ponte concreta entre as necessidades específicas de pessoas com deficiência e as soluções tecnológicas disponíveis que a tecnologia assistiva otimiza a relação entre acessibilidade e inovação.
Ao adaptar ou desenvolver recursos com foco em usabilidade, autonomia e inclusão, essa tecnologia permite que a acessibilidade deixe de ser apenas uma pauta e se torne uma prática real no cotidiano.
Em relação ao acesso à rede e à informação (tema do nosso artigo), as tecnologias assistivas desempenham um papel central, ao eliminar barreiras que impedem a navegação, a leitura e a compreensão de conteúdos digitais por pessoas com deficiência. Seja por meio de leitores de tela, teclados adaptados, softwares de comando por voz ou tradutores de Libras, esses recursos possibilitam que mais pessoas acessem, interajam e se beneficiem da informação de maneira plena, autônoma e segura.
Quais são os desafios para integrar tecnologia e acessibilidade em um contexto de acesso ao digital?
Como dissemos anteriormente, a associação das duas pautas é bastante urgente e presente, inclusive, na legislação, como demonstrativo de esforços para que seja uma realidade concreta a longo prazo. Entretanto, ainda há alguns desafios característicos a serem enfrentados para que esse resultado seja alcançado.
Segundo a pesquisa “Acessibilidade e tecnologias: um panorama sobre acesso e uso de Tecnologias de Informação e Comunicação por pessoas com deficiência no Brasil e na América Latina”, os principais desafios de se pensar em tecnologia e acessibilidade são:
- o custo de acesso às tecnologias;
- a falta de habilidades para uso de dispositivos digitais;
- a carência de disponibilidade das tecnologias;
- as barreiras de acessibilidade quando se vai a um site Web. (“Essas barreiras podem tornar tecnologias digitais inacessíveis, comprometendo o bem-estar das pessoas e a garantia de seus direitos fundamentais”).
- a falta de padrões, recomendações e demais especificações técnicas que garantam a acessibilidade da Web.
Contudo, é possível visualizar formas de transpor essas problemáticas a partir de iniciativas que priorizam combinar tecnologia e acessibilidade em toda a cadeia de desenvolvimento de seus produtos e soluções. É isso o que vamos te mostrar a seguir:
3 Iniciativas que mesclam tecnologia e acessibilidade para um meio digital mais inclusivo
1) ESR
A Escola Superior de Redes (ESR) possui um “Menu Acessibilidade” com diversos recursos que se propõem a cumprir os três pilares desse conceito: conforto, autonomia e segurança.
Por meio dele, alunos, usuários e professores podem escolher qual melhor maneira de consumir o conteúdo do site: no formato áudio, “dislexia amigável”, textos e espaçamentos maiores, entre outras possibilidades.
2) Braile Fácil
O software Braile Fácil, desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, realiza transcrição e impressão de textos em braille.
Um dos diferenciais da ferramenta é não necessitar de uma compreensão prévia da codificação, transformando a tarefa de imprimir textos em algo mais simples.
Essa é uma das iniciativas que propõe mais acessibilidade para pessoas com baixa visão ou com deficiência visual, uma vez que o braille é um sistema de escrita e leitura tátil.
3) Wheelmap
O Wheelmap permite, a partir de uma construção de conhecimento colaborativo, que usuários de cadeira de rodas compartilhem o ambiente de uma cidade que possui ou não acessibilidade.
Por meio de um mapa é possível classificar locais sob a perspectiva de serem “acessíveis para cadeirantes, parcialmente acessíveis ou inacessíveis”.
Isso auxilia que outros cadeirantes tenham uma tomada de decisão sobre como ir a determinado local ou possam pleitear alterações nestes espaços, para que eles possam abraçá-los igualmente no futuro.
Como pensar em tecnologia e acessibilidade no contexto web?
As Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (Web Content Accessibility Guidelines – WCAG) são um conjunto de medidas e recomendações de acessibilidade pensadas pelo W3C (World Wide Web Consortium).
Todas elas estão alicerçadas em 4 princípios básicos, para a formulação de padrões de desenvolvimento e orientações para a construção da Web mais inclusiva. São eles: Perceptível, Operável, Compreensível e Robusto.
A ideia é que as soluções web sejam construídas tendo isso em vista e sejam classificadas, de acordo com a sua adequação, nas categorias A (nível básico de acessibilidade), AA (intermediário e, normalmente, é o recomendado por órgãos competentes) e AAA (nível de conformidade desejado, sendo aquele que tornará o conteúdo web mais acessível ao maior número de pessoas).
Ao trabalhar com a ideia de web única, o W3C orienta o desenvolvimento de um conteúdo que permite aos usuários que eles escolham a melhor forma para navegar, seja de um celular, tablet, janela de Libras ou software leitor de telas.
Assim, para que exista tecnologia e acessibilidade web é necessário que os conteúdos sigam esses padrões e as boas práticas estabelecidas no WCAG, pois elas possibilitam a integração entre navegadores e tecnologias assistivas.
Por que pensar em tecnologia e acessibilidade digital é importante para os profissionais de TI?
No mercado atual, a inclusão digital é um tema não só debatido como priorizado, de modo que pensar em tecnologia e acessibilidade torna-se uma responsabilidade direta dos profissionais de TI.
Esses profissionais são os principais responsáveis pela criação e desenvolvimento adequado de soluções que impactam milhares de pessoas todos os dias e, por isso, precisam se atualizar para compreender as diferentes necessidades das pessoas.
Quando a acessibilidade é considerada desde o primeiro passo de um projeto de desenvolvimento de softwares, sites e aplicativos, o retrabalho posterior é evitado e a experiência de usuários mais diversos é aprimorada.
Ou seja, além de contribuir para uma sociedade digital mais inclusiva e justa, o profissional de TI que domina a combinação tecnologia e acessibilidade é melhor visto em um mercado que demanda cada vez mais a consciência das empresas, serviços e soluções digitais nesse sentido.
Conclusão
A tecnologia é capaz de solucionar desafios para ampliar o bem-estar da sociedade, como quando é direcionada à acessibilidade, e também tem um papel fundamental como facilitadora da vida humana.
Estimular iniciativas que priorizam essa relação (tecnologia e acessibilidade), é uma das formas de assegurar a inclusão e participação de todos os indivíduos nas diferentes demandas da vida econômica, social e digital.
Como mostramos anteriormente, a ESR é uma instituição que se dedica a desenvolver suas soluções com recursos acessíveis, para que o conhecimento sobre a área de TI chegue a cada vez mais pessoas.
Assim, para respondermos à pergunta inicial, “qual a relação entre acessibilidade e tecnologia”, dizemos que se trata de uma equação de interdependência e potencial transformador.
Quando a tecnologia é pensada com base nos princípios da acessibilidade, ela proporciona oportunidades reais de aprendizado, desenvolvimento e participação para todas as pessoas.
É nesse encontro que surgem soluções mais humanas, inteligentes e socialmente responsáveis – exatamente o que a ESR busca promover ao tornar o universo da TI mais acessível, diverso e inclusivo.
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