Governança corporativa: princípios e boas práticas para adotar em 2024

conceito-de-colagem-de-controle-de-qualidade-padrao (3)

“Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e as demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e as demais partes interessadas.” Essa é a definição do termo pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), responsável por desenvolver inúmeros estudos sobre a área. 

Embora não seja um conceito tão recente para o mundo empresarial e as demais organizações, inclusive do setor público, passou a ter cada vez mais relevância à medida que a sociedade identificou a sustentabilidade e o propósito das organizações como pontos decisivos para o relacionamento e a conversão com os negócios. 

Ligada diretamente à ideia da Agenda ESG (Environmental, Social e Governance), em que é representada pelo “G” da sigla, a governança corporativa tem o objetivo de tornar as empresas e organizações mais alinhadas a um objetivo comum que contemple o desenvolvimento de seus quatro princípios: 

  1. Equidade – compreende a noção de que os negócio devem incentivar o tratamento igualitário e se comprometer a atuar ativamente em prol da questão; 
  2. Transparência é uma demanda para que as empresas e organizações priorizem a clareza de suas informações e a boa-fé em todas as suas relações, sejam elas com parceiros, colaboradores, acionistas, consumidores ou o público em geral que utiliza seus produtos e serviços; 
  3. Prestação de contas (accountability) – um princípio conectado à publicização das ações que as empresas e organizações executam; 
  4. Responsabilidade corporativa – diz respeito à necessidade de valorização de práticas corporativas sustentáveis, que representam um dos mais importantes princípios por causa do contexto.

Em outras palavras, significa dizer que a governança é o conjunto de regras e princípios que empresas e organizações adotam para serem administradas de maneira justa, transparente e eficiente.

Nesse sentido, mesmo que a compreensão da governança corporativa pareça teórica, colocá-la em prática é possível e é o que vamos mostrar aqui. Continue conosco para saber como. 

Quais são os resultados de uma empresa e das demais organizações que adotam a governança corporativa? 

Em uma análise geral, podemos dizer que o desejo de toda empresa e organização é se manter no mercado, além de entregar confiança em seus produtos e serviços, certo? Ou seja, ter longevidade. 

Para isso, atualmente, além de priorizar a qualidade dos produtos ou serviços prestados e de sua operação, o negócio precisa se atentar ao valor que entrega para a sociedade e a comunidade a seu redor. 

Se antes os consumidores de produtos e serviços pouco se inteiravam sobre a conduta de uma empresa ou organização, agora a lógica é diferente. Há mais informações do que nunca, disponíveis de uma maneira inédita em todo lugar, a todo tempo. 

Além disso, fornecedores e parceiros passaram a priorizar acordos com empresas e organizações que se preocupam com sua sustentabilidade e, consequentemente, com a sustentabilidade do ecossistema empreendedor do qual fazem parte. 

É nessa realidade de maior concorrência, clientes mais bem informados e parceiros e fornecedores preocupados de uma forma diferente com seus relacionamentos de negócio   que a governança corporativa prospera e atua. 

Podemos dizer, então, que, na prática, trata-se de uma forma de garantir a ética, a transparência e a segurança jurídica diante dos diversos públicos de uma organização. Ou seja, um guia, um manual de boas práticas para as empresas funcionarem bem e serem confiáveis. 

Dessa forma, uma corporação que adota os princípios da governança gera valor a longo prazo para suas soluções e para sua história. Há ainda outros benefícios associados a ela, como: 

  • Otimização da transparência – com a implementação da governança corporativa, há um processo de aprimoramento da transparência e da objetividade na divulgação, publicização e informação das operações da empresa, o que é especialmente importante em um mundo no qual os stakeholders, como acionistas, investidores e clientes, exigem cada vez mais informações sobre como as empresas funcionam e tomam decisões;
  • Acesso a capital – empresas com boas práticas de governança corporativa tendem a ser mais atraentes para os investidores, tornando mais fácil a captação de recursos por meio de investimentos diretos, emissão de ações ou acesso a financiamento.
  • Proteção aos minoritários – a governança corporativa também protege os direitos dos acionistas minoritários, garantindo que eles tenham voz e representação justa nas decisões da empresa, o que se faz interessante, visto que a propriedade das empresas muitas vezes é dispersa;
  • Gestão eficiente – com as estratégias de governança, tal qual a transparência e a prestação de contas; a adoção de diretrizes claras; um controle de conflitos de interesse efetivo; a redução de riscos jurídicos e reputacionais, entre outros critérios, as tomadas de decisão de uma empresa ou organização se tornam mais informadas e eficazes, o que pode melhorar o desempenho financeiro e operacional da entidade;
  • Reputação e credibilidade as empresas e as demais organizações com governança sólida geralmente desfrutam de uma reputação e credibilidade melhores, o que pode atrair clientes, parceiros de negócios e talentos qualificados.

Existem ainda outras vantagens de orientar uma empresa pelos princípios da governança, como a certeza de um processo de conformidade legal e regulatória, o que a torna extremamente necessária nos dias de hoje.

⚠️ Fique por dentro: um estudo realizado pela McKinsey e NielsenIQ analisou o desempenho de faturamento de produtos que alegam ser social e ambientalmente responsáveis. De acordo com o levantamento, 60% dos entrevistados disseram que pagariam mais por um produto com embalagem sustentável. Já em outra pesquisa da NielsenIQ, 78% dos consumidores (recorte dos EUA) disseram que um estilo de vida sustentável é importante para eles.

4 dicas para implementar uma agenda de governança corporativa no dia a dia de um negócio 

Adotar a governança corporativa na prática requer um compromisso contínuo com princípios e atividades que promovam a transparência, a responsabilidade e o desempenho ético. 

Separamos, a seguir, quatro exemplos de ações que podem ser incorporadas em qualquer negócio e no dia a dia das empresas.

1) Defina e comunique valores e princípios

 Estabeleça valores e princípios éticos, além de claros, capazes de orientar o comportamento de todos na empresa. 

Comunique esses valores de forma ampla e regular, de modo que todos os funcionários entendam a cultura organizacional e saibam como devem agir.

É importante que esses valores estejam associados ao desenvolvimento não só da organização, como dos colaboradores e da comunidade. É necessário um propósito para que a empresa exista, e apenas gerar lucro não é um deles.

2) Crie estruturas de tomadas de decisão transparentes

Pensar em formas de simplificar a transparência da empresa é uma excelente maneira de implementar a governança aos negócios. Alguns departamentos e estruturas podem atuar nessa frente. 

  1.  Conselho de administração se a empresa for grande o suficiente, estabeleça um conselho de administração independente, com membros experientes e diversos. Eles podem supervisionar a gestão e fornecer orientação estratégica.
  2. Comitês – implemente comitês internos, como um comitê de auditoria ou comitê de ética, para revisar questões específicas e tomar decisões informadas.
  3. Políticas e procedimentos – desenvolva e propague políticas e procedimentos claros para a tomada de decisão, divulgação de informações e gerenciamento de riscos. Certifique-se de que todos na empresa compreendam e sigam essas políticas.

3) Dedique-se ao princípio da prestação de contas e transparência

Há diversas formas de fazer isso, como: 

  1. Relatórios financeiros – elabore relatórios financeiros precisos e auditados regularmente. Disponibilize esses documentos para os acionistas e stakeholders. Pense em uma reunião esporádica com os colaboradores para a exposição desses dados;
  2. Reuniões regulares – conversando com a dica acima, realize reuniões regulares do conselho de administração e da diretoria executiva para revisar o desempenho, discutir estratégias e tomar decisões importantes. Aqui é importante que os encontros sejam objetivos, dinâmicos e que tenham um motivo para ser realizados ninguém quer perder tempo, certo?
  3. Divulgação de informações – informe, de maneira transparente, os dados relevantes aos acionistas e ao público em geral. Isso pode incluir relatórios anuais, comunicados à imprensa e atualizações constantes sobre o desempenho da empresa.

4) Promova a ética e a responsabilidade

Como vimos, a governança corporativa dá destaque à condução ética que as empresas têm em seus diversos ramos de atuação. Por isso, uma das maneiras mais corretas de implementá-la na prática é por meio de ações voltadas para essa área. Pense em: 

  1. Treinamento em ética – ofereça treinamento em ética para todos os funcionários, com destaque para a importância de tomar decisões coerentes nas diversas áreas da empresa;
  2. Canais de denúncia – estruture canais de denúncia confidenciais para que os funcionários possam relatar preocupações éticas ou comportamento inadequado sem medo de retaliação;
  3. Cumprimento legal e regulatório – garanta que a empresa cumpra todas as leis e regulamentos relevantes, com monitoramento constante das mudanças na regulamentação e ajuste nas práticas de negócios, conforme necessário.

➡️ Leia mais: LGPD para a área de TI: como a lei impacta o setor?

Como a governança se relaciona com a TI? 

A tecnologia da informação é uma peça fundamental para permitir que as empresas desenvolvam práticas, atividades e rotinas mais sustentáveis, seguras, transparentes e rentáveis. 

Há implicações da TI no apoio à governança corporativa em várias frentes, como na otimização de processos onerosos, com base na automação, inteligência artificial e machine learning, entre outras possibilidades advindas da transformação digital, para a melhoria da experiência de consumo de produtos, serviços e informações,  por meio do desenvolvimento de sistemas acessíveis, disponíveis e escaláveis. 

Para que as organizações atinjam esse objetivo, ainda é imprescindível um departamento sólido de cibersegurança, responsável por proteger os dados do negócio e de seus principais agentes. Ou seja, a TI viabiliza a governança corporativa de diversas formas. 

Por aqui, já abordamos os detalhamentos dessa relação em um blog post exclusivo.  ➡️ Leia: 5 dicas para crescer na carreira de governança de TI

Conclusão 

A governança corporativa deixou de ser uma opção das empresas para se traduzir como uma necessidade imperativa no cenário de negócios atual. Nesse contexto, é a tecnologia da informação que viabiliza uma base sobre a qual a sustentabilidade, a segurança, a transparência e a rentabilidade podem ser aprimoradas

Veja como esse tema é abordado no curso da ESR – “Governança de TI com Cobit 2019”. Inscreva-se e torne-se especialista na questão. 

5 1 votar
Article Rating
Inscrever
Notificar
guest

0 Comentários
Feedbacks em linha
Ver todos os comentários